quarta-feira, 21 de maio de 2008

Anjos Fadas e Sereias: 12 Teses sobre Cibercultura (Resumo crítico)

1- De facto o ciberespaço e a cibercultura têm que ser compreendidos mesclando-os com o conceito de civilização. Afinal de contas eles são o reflexo da nossa própria civilização e das tendências que esta segue. Da mesma forma a internet não pode ser vista isoladamente. Deve antes ser analizada segundo os processos e evoluções tecnológicas que a possibilitam que se veículam atraves dela.
2- Com o desaparecimento da cencura editorial, característica dos mass-media, gera-se uma falsa sensação de liberdade, uma vez que no ciberespaço as pessoas são livres de dizerem o que quiserem e de agirem como quiserem. Mas isso limita-se somente ao ciberespaço, uma vez que fora dele são cada vez mais esmagadas pelas ideologias políticas dominantes e pelo estilio de vida ocidental que arrasta toda a civilização junto com ele.
3- De facto o ciberespaço torna as fronteiras invisiveis, tornando possivel o acesso à informação ao nivel global. Isto faz com que haja cada vez menos espaços exteriores à informação e consequentemente à civilização que se torna, desta maneira, global.
4- Os objectos reais estão condenados, uma vez que são substituidos por representações e estas por outras. Assim o objectivo das instituições é servirem-se a elas mesmas. Estas, sendo virtuais, passam a assegurar o sentido que é real.A comunicação e a produção deixam de servir um propósito e passam a ser elas mesmas um propósito.
5- A comunicação não tem um objecto propriamente dito, uma vez que não existe exterioridade, mas ela é universal, uma vez que todos podem comunicar uns com os outros.
6- Existem formas de ligação do humano aos espaços dos outros elementos e aos seres que os habitam. Essas formas de ligação servem para articular os diferentes infinitos que, por não serem alcançaveis, são míticos e geram imagens e comportaments distintos. A isto opõe-se tudo aquilo que possibilita viver nesses infinitos. Os seres que habitam os espaços dos outros elementos geram uma ambivalência que se reflete sob a forma de atracção e medo. A cibrcultura caracteríza-se pela indistinguibilidade entre o místico e o concreto, sendo simultaneamente um espaço alternativo e de vivência humana.
7- O desejo é o motor da ruptura com o concreto, ou seja, o objecto passa a estar identificado com o imaginário em detrimento do espaço específico desse objecto.
8- O sujeito da vivência virtual é desprovido de corpo. Os saberes e as ideias deixam de ser elementos organizadores da vida para se tornarem, cada vez mais, geradores de novas ideias. A esmagadora maioria dos saberes que integram a cultura actual são puramente virtuais, na medida em que só possuem verdadeira existência enquanto integrados nos quadros imaginários em que emergem. Neste sentido, o saber não técnico deixa de ser descoberta ou criação e torna-se administração de informação e citação.
9- Por um lado o desenvolvimento do ciberespaço acentua o fosso entre países ricos e países pobres, mas por outro lado aproxíma-os em termos de acesso à informação e das possibilidades de comunicação. A informação que circula na net pode não ser considerada relevante para os países periféricos e poderá estar a produzir uma imensa ilusão que assenta na ideia de que a informação é o elemento chave do desenvolvimento e que possui um valor em si. Assim, em termos de informação, existe uma igualdade de oportunidades, mas só no sentido de servir os objectivos estratégicos das potências dominantes.
10- O caos gerado pelo hipertexto caótico constitui uma ordem invisível orientada teleologicamente. O novo paradigma da vida e da morte, isto é: do início e do fim é constituído pelo tempo necessário a reencontrar o ponto de partida, isto é pela necessidade de renovação constante da informação para se poder manter o ciberespaço.
11- O ciberespaço radicaliza a racionalidade do espectáculo. Nele, o indivíduo torna-se espectador de si mesmo, do seu poder e da sua liberdade. O ciberespaço, através de ambientes essencialmente gráficos, dá origem a uma ilusão de um mundo configuravel, onde o indivíduo configura o seu universo à sua imagem e medida. Paasa a vivver-se num sistema operativo e não num planeta ou num lugar concreto.
12- No ciberespaço, ao aceitarmos todos os valores, estamos a entrar num quadro de ausência dos mesmos. Mas dada a ilusão de liberdade e plurarismo que se gera no ciberespaço, essa ausência de valores não é criticavel.

1 comentário:

rosa velho disse...

Exercício avaliado.

Inês Amaral